quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Caos na saúde de Juazeirinho faz médicos deixarem plantões

O caos na Saúde Pública da cidade de Juazeirinho foi motivo para o pedido de demissão de um médico que desabafou nas redes sociais, na noite desta terça-feira (27), publicando os motivos que o levaram a deixar o cargo no município. Durante o desabafo, o profissional lamentou, inclusive, uma entrevista concedida pelo prefeito Joilton Fernandes, em uma rádio local onde tentou “desmoralizar os médicos”, que deixaram os plantões por falta de pagamento e condições de trabalho no município localizado na Microrregião do Seridó paraibano.


O médico Petrúcio Brito, que deixou recentemente o Hospital de Juazeirinho, publicou uma carta pública no Facebook afirmando que estava no limite que um profissional poderia suportar, uma vez que a unidade de saúde estava sem ambulância, medicações, material de entubação, lençóis, sondas, aspirador, alimentos para refeição de funcionários e pacientes e, até, sem soro fisiológico. Além da saída de três médicos, saíram também alguns motoristas e todas as lavadeiras do hospital por falta de pagamento.


“Nobres amigos, colegas e pacientes, é chegada a hora de alguém se insurgir contra esses abusos e começar a combater a exploração e a prostituição a que estão querendo submeter a classe médica de nosso país, bem como o descaso e humilhação a que estes pseudo-gestotes expõem os nossos indefesos pacientes. Temos que nos unirmos, médicos e pacientes, e aniquilarmos da vida pública estes políticos que se utilizam da fragilidade e da necessidade do povo para ‘venderem’ seus ‘favores’ ou um atendimento médico em troca de votos”, desabafou doutro Petrúcio.






Confira a íntegra da carta completa pública do médico, publicada nas redes sociais:

Caros colegas médicos,

Senhores pacientes,

Acabei de escutar estarrecido no início da manhă de hoje, uma entrevista do prefeito de Juazeirinho-PB, numa rádio local, onde além de costumeiramente demonizar os médicos, que deixaram os plantões por falta de pagamento e condições de trabalho, ainda informava que estaria, caso não aparecesse nenhum médico para contratar, possivelmente, colocando faixas na BR-230 à procura de novos profissionais.

Nobres amigos, quando saímos daquele hospital de Juazeirinho-PB, estávamos no limite do que um profissional poderia suportar. Estávamos sem ambulâncias, visto que uma se encontrava no eterno “conserto” há quase 01 (um) mês após atropelar, pasmem, um simples cachorro e a outra não oferecia o mínimo de operacionalidade. Faltavam ainda, medicaçőes e material para entubação, lençóis, medicações como Tylenol, Berotec, Atrovent, Diclofenaco Sódico e Potássico, Clopidogrel, AAS, Ocitocina, sondas e aspirador na hora dos partos, ECG, DEA (sem as pás), alimentos para nossas refeições, além de uma infinidade de outras medicações e materiais.

Pasmem que na semana antes de sairmos chegou a faltar, além de soro fisiológico, até fichas de atendimento de pacientes.

O fato é que hoje (27/10/2015), após ouvir a aludida e fantasiosa entrevista, liguei para a secretária de finanças e administração daquele município, e ela me informou que a determinação que tinha era para pagarmos apenas os plantões deste mês de outubro, sem se referir, em momento algum, aos valores descontados ilegal, indevidamente e sem qualquer aviso prévio, no importe de quase R$ 7.500,00 (sete mil e quinhentos reais), subtraídos de meu salário, sem falar nos valores descontados dos demais colegas!

É sabido e ressabido, aos que me conhecem, que não costumo “alisar” e nem tampouco admitir ser feito de idiota; destarte, dei-vos o ultimato de me pagarem até o último centavo, improrrogavelmente, até o próximo dia 16/11/2015, data em que deveriam serem pagos também, os plantões deste mês.

Então caso algum colega se prostitua e vá assumir os plantões de lá, saiba que, não havendo o devido pagamento até a data estipulada, estarei acionando judicialmente o Ministério Público Estadual, o Ministério Público Federal, Justiça do Trabalho, Receita Federal, CRM-PB e a Imprensa Estadual.

Assim, infelizmente o colega que lá estiver irá literalmente “no bolo”, por assumir, negligentemente, um plantão sem as mínimas condições de trabalho.

Nobres amigos, colegas e pacientes, é chegada a hora de alguém se insurgir contra esses abusos e começar a combater a exploração e a prostituição a que estão querendo submeter a classe médica de nosso país, bem como o descaso e humilhação a que estes pseudo-gestotes expőem os nossos indefesos pacientes.

Temos que nos unirmos médicos e pacientes e aniquilarmos da vida pública estes políticos que se utilizam da fragilidade e da necessidade do povo para “venderem” seus “favores” ou um atendimento médico em troca de votos.

Iremos resistir até o fim, em nome de uma medicina séria, humana e apolítica, mesmo que para isso tenhamos que cortar na própria carne!!!

Saudações médicas,

Dr. Petrúcio Brito

Médico/Advogado.


Fonte


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