quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Com 272 casos e duas mortes, Cajazeiras vive epidemia de Calazar

Enquanto as atenções e os investimentos públicos se voltam para o combate ao mosquito Aedes aegypti, que transmite os vírus da Dengue, da Chikungunya e da Zika, outra doença perigosa se alastra silenciosamente em Cajazeiras e já matou duas pessoas.

A Leishmaniose, mais conhecida como Calazar, tem se tornado cada vez mais uma ameaça à saúde pública na cidade, sobretudo porque não existe políticas públicas para resolver o problema do grande número de animais abandonados nas ruas.

Baseado nos números que foram revelados pela veterinária Isabela Cartaxo, coordenadora do Núcleo de Zoonoses do município, dá para afirmar que Cajazeiras vive uma epidemia da doença. Somente em 2015, segundo ela, já foram registrados 261 casos em cães, 11 casos em pessoas e destes 11, dois ocasionaram óbitos (os dois pacientes eram idosos).

No dia 27 de outubro, a Câmara Municipal de Cajazeiras realizou uma das sessões especiais mais longas do ano para discutir maneiras de reduzir e cuidar da população de animais de rua da cidade. O debate atraiu dezenas de profissionais e autoridades públicas ligadas direta e indiretamente às políticas públicas de saúde com foco na zoonose.

A princípio o que foi definido na sessão foi a criação de uma comissão formada por parlamentares, gestores públicos municipais e membros da sociedade civil organizada para desenvolver estratégias que diminua a procriação dos animais de rua e cuide dos que já existem. Um mutirão de castração foi proposto na sessão.

“A função dessa comissão é fiscalizar a questão do tratamento desses animais, lutar pela questão de um centro de zoonoses em Cajazeiras, de um canil, e a Câmara vai estar apresentando um documento às autoridades. Essa comissão vai acompanhar tudo e vamos estar averiguando principalmente a questão dos animais de rua”, ressaltou o vereador Jucinério Félix.

O secretário de Saúde do município revelou que a prefeitura estuda a possibilidade de fechar um convênio com uma clínica veterinária popular que atenda pessoas menos abastadas que não têm condições de arcar com as despesas do tratamento de seus animais. Mas essa clínica também deve intervir nos animais de rua num trabalho conjunto com o núcleo de zoonoses.

Outras propostas importantes foram levantadas durante a sessão, como a doação de um terreno para construir a sede da APAC (Associação de Proteção aos Animais de Cajazeiras) e a instalação de um centro de zoonoses, já que Cajazeiras possui apenas um núcleo e nele não há canil/gatil e não realiza todos os procedimentos clínicos em animais.

A ameaça também vem de mosquito

Ao contrário do que se costuma pensar, o Calazar não é transmitido pelo contato físico. Mesmo que uma pessoa toque na ferida (e nas secreções) de um animal ou humano infectado, ele não vai contrair a doença, pois ela só é transmitida através da picada de um mosquito infectado.

Os sintomas são: febre irregular prolongada; anemia; indisposição; palidez da pele e ou das mucosas; falta de apetite; perda de peso; inchaço do abdômen devido ao aumento do fígado e do baço e aparição de feridas.

O diagnóstico é realizado por meio de exames clínicos e laboratoriais e, assim como o tratamento com medicamentos, deve ser cuidadosamente acompanhado por profissionais de saúde. Sua detecção e tratamento precoce devem ser prioritários.




Fonte Por: Radar Sertanejo


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