terça-feira, 1 de março de 2016

Motorista de ônibus que colidiu com trem teve medo de dar ré, diz polícia

O motorista do ônibus que se envolveu no acidente com o trem que matou quatro pessoas na segunda-feira (29) em Santa Rita, região metropolitana de João Pessoa, teve medo de dar ré, segundo o delegado Antônio Farias, que ouviu o depoimento na tarde desta terça-feira (1º). "Porque poderia atropelar qualquer veículo. Ele ficou sem qualquer destino. À mercê da pancada grosseira, brutal e animalesca do trem", disse o delegado.

A colisão aconteceu na passagem de nível de Várzea Nova, distrito de Santa Rita, no final da tarde de segunda-feira. As imagens da câmera de segurança de um estabelecimento comercial flagraram o momento em que aconteceu o acidente. No vídeo é possível ver desde o momento em que o ônibus para nos trilhos até a colisão.

De acordo com Antônio Farias, o motorista relatou que o trânsito estaria obstruído por uma motocicleta e dois veículos e temeu manobrar de macha ré, pois poderia causar outro acidente. "Ele disse que quando olhou para esquerda e voltou a visão, viu que o trem vinha e o trânsito estava obstruído. Buzinou, buzinou, mas não teve jeito", acrescentou o delegado.

Ainda segundo o Farias, o motorista foi ouvido e liberado em seguida, mas vai responder por homicídio culposo, quando não há intenção de matar. Conforme o relato do delegado, ele deve aguardar o andamento do processo em liberdade até mesmo para voltar a trabalhar.

Entre a noite da segunda-feira (29) e a manhã desta terça-feira (1º), pelo menos cinco pessoas, todas parentes das vítimas que morreram no acidente foram ouvidas pela Polícia Civil.

Na manhã desta terça-feira, parentes das vítimas foram fazer o reconhecimento e liberar os corpos na sede do Gemol. Quatro mulheres morreram no acidente, sendo que três no momento da colisão e uma no Hospital de Emergência e Trauma de João Pessoa, durante a madrugada. Os corpos estão sendo velados e enterrados na tarde desta terça-feira.
Vítimas tiveram alta

Duas pessoas que ficaram feridas no acidente tiveram alta do Hospital de Emergência e Trauma da capital paraibana na manhã desta terça-feira (1º). A informação foi divulgada por volta das 11h30, por meio de um boletim da unidade.

O documento do hospital também corrigiu o número de feridos no acidente que foram atendidos na unidade. Inicialmente a informação repassada pela unidade era de que nove pessoas haviam dado entrada por causa do acidente. No boletim mais recente, o número subiu para dez. A décima pessoa seria o cobrador do ônibus, cuja entrada havia sido registrada como procedente de outro acidente e só nesta terça-feira a informação no hospital foi corrigida.

As duas pessoas que tiveram alta são um jovem de 18 anos e um homem de 59 anos. Eles passaram por procedimentos de emergência e após ficarem em observação, foram liberados. Além deles, outras sete pessoas seguem internadas, sendo cinco em estado regular e duas em estado grave, porém estável.

O acidente
O vídeo confirma a versão da assessoria de imprensa da Companhia Brasileira de de Trens Urbanos (CBTU), que havia informado na segunda-feira que o ônibus estaria parado na linha férrea e o trem teria buzinado várias vezes para alertar que estava se aproximando, mas ainda assim não evitou a colisão. Com o impacto da batida, três mulheres que estavam dentro do ônibus foram jogadas para fora do veículo e morreram imediatamente. Nenhum passageiro do trem se feriu. Em nota, a CBTU lamentou o acidente e informou que vai abrir sindicância para apurar os fatos. A prefeitura de Santa Rita decretou cinco dias de luto oficial na cidade.

O governador Ricardo Coutinho, a Secretária estadual de Saúde, Roberta Abath, e o prefeito de Santa Rita, Severino Alves, conhecido como Netinho, foram até a unidade de saúde para acompanhar o atendimento as vítimas. Um rapaz que estava no coletivo foi encaminhado para Unidade de Pronto Atendimento de Urgência (UPA) do bairro de Tibiri em Santa Rita.

De acordo com o boletim médico do Hospital de Emergência e Trauma de João Pessoa desta terça-feira (1º), outras oito pessoas seguem internadas, sendo duas pessoas em estado de saúde considerado grave, e outras seis em estado regular. Entre os internados em estado grave estão uma adolescente de 14 anos e um homem de 53 anos.

Em entrevista à TV Cabo Branco, o gerente operacional da empresa Santa Rita, proprietária do ônibus que se envolveu na colisão, Luiz Carlos André, lamentou o acidente e disse que a empresa vai colaborar com as investigações da polícia para esclarecer o caso.

"Em primeiro lugar eu quero lamentar a tragédia e dizer que estamos solidários. Infelizmente houve vítimas. A questão do acidente, seria irresponsável dizer o que causou, o momento e de averiguar, dar subsídio à polícia para descobrir o que causou o acidente", disse Luiz Carlos André.

O funcionário da empresa informou ainda que o motorista do veículo teve apenas ferimentos leves e que deverá prestar depoimento a polícia nesta terça-feira (1º). Ainda de acordo com o representante da empresa, o motorista teve medo de sofrer algum tipo de agressão da população e por isso, teria deixado o local do acidente.

Investigações

Até as 19h30 de segunda-feira (29) o trânsito na passagem de nível e a ferrovia ainda estavam bloqueadas pela perícia, que trabalhava no local da colisão para levantar informações sobre o que teria causado o acidente. Inicialmente duas hipóteses foram levantadas, uma seria de que o veículo teria apresentado uma falha mecânica e a outra é de que o motorista estava parado na ferrovia porque um veículo estaria na frente do coletivo, bloqueando a passagem.

Segundo o delegado Antonio Farias, testemunhas relataram que o ônibus estava há muito tempo parado sobre a ferrovia, e que não houve reação do motorista do ônibus ao alerta sonoro dado diversas vezes pelo condutor do trem.
Hemocentro pede doações

A diretoria do Hemocentro da Paraíba fez um apelo para que as pessoas doem sangue para o feridos do acidente. Segundo o Hemocentro, o estoque de sangue da unidade está baixo e como os feridos estão em estado grave, há a necessidade de ter bolsas de sangue e hemoderivados à disposição dos feridos.





Fonte G1 Paraíba


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