quinta-feira, 8 de março de 2018

“Animais foram sacrificados com crueldade”, diz delegado da Polícia Civil sobre matança em Igaracy

O delegado da Polícia Civil de Itaporanga, Gleberson Fernandes, responsável pelo inquérito que investiga a morte de cães na cidade de Igaracy, na região do Sertão, revelou nesta quinta-feira (8) que os animais recolhidos pelo município foram sacrificados com resquícios de crueldade, ou seja, sem procedimento de eutanásia. Após serem mortos, os corpos dos cães foram despejados em uma área próxima ao lixão da cidade.

A denúncia da morte de animais em Igaracy foi feita por moradores da cidade através de imagens publicadas nas redes sociais na terça-feira (6), depois que a Prefeitura fez o recolhimento dos cães em um veículo, alegando que eles estavam abandonados na rua e apresentavam sinais de leishmania, causando risco para saúde humana.

“Ontem visitamos o galpão onde os animais foram sacrificados e o que encontramos no local foram resquícios de crueldade; muito sangue e fezes de animais espalhadas pelas paredes. Se o procedimento tivesse sido feito por sedativos, não seria esse o cenário encontrado”, revelou Gleberson Fernandes.

Ainda de acordo com Gleberson Fernandes, uma equipe do Instituto de Perícia Científica (PCI) da cidade de Patos esteve em Igaracy e realizou o processo de perícia no galpão. “A perícia foi feita pela equipe técnica no galpão onde ocorreu a morte dos animais e também em uma área próxima do lixão da cidade, onde os cães foram descartados”, disse o delegado da Polícia Civil.

O laudo do IPC sobre a morte dos cães em Igaracy deve ser concluído nos próximos 20 dias. “Foi aberto um inquérito para investigar o caso, algumas pessoas da cidade já foram ouvidas e há relatos que animais saudáveis também foram recolhidos e sacrificados. Isso também está sendo investigado, uma vez que a população suspeita da morte de mais de 50 animais”, ressaltou Gleberson Fernandes.

Secretário confirmou mortes

O secretário de Saúde do município, José Carlos Maia, justificou a medida afirmando que o município não tinha outra destinação para os animais em situação de doença abandonados na rua. “Eram animais de rua perambulando pela cidade, todos com o quadro de doenças em processo terminal, com neoplasia, alopecia generalizada, alta infestação de parasitas e ectoparasitas. A gente estava com uma grande quantidade de animais e tinha que se tomar uma medida de capturar e sacrificar, porque a gente não tinha para onde levar como destino final”, justificou.
Ele revelou ter sacrificado 31 cães, no entanto, o Ministério Público da Paraíba (MPPB) recebeu informações de que o número, na verdade, seria de 50 animais mortos a pauladas. O caso aconteceu em um imóvel público do município.

MP pede exoneração de secretário de Saúde

Além de requisitar a exoneração do secretário de Saúde, o MPPB também concedeu um prazo de cinco dias para que o prefeito de Igaracy preste informações referentes ao levantamento do número de animais nas ruas, com as respectivas zoonoses e laudos veterinários, comprovando as doenças, bem como, quanto à retirada e transporte, detalhando ainda como se procedeu a matança dos animais, de acordo com as normas sanitárias.

Também foi expedido pelo MPPB, um ofício para o Conselho Regional de Medicina Veterinária da Paraíba, requisitando a instauração de procedimento administrativo com vistas à aplicação das sanções administrativas e disciplinares inerentes à atividade de José Carlos Maia, que também é médico veterinário.

Mobilização

Um protesto contra a morte dos animais foi realizado pela população de Igaracy na manhã desta quinta-feira (8).

As pessoas se mobilizaram em grupo e percorreram as ruas da cidade, passando pela sede da Prefeitura e pela Câmara Municipal. Em seguida, elas se concentraram na Praça Central da cidade onde exibiram cartazes contra o ato praticado pela Prefeitura e pediram justiça.

Segundo o morador de Igaracy Alcenir Renê, de 42 anos que participou do protesto nesta manhã, a morte dos animais é um caso revoltante. “Foi uma atrocidade tremenda contra os animais. O prefeito não pode concordar com isso, os vereadores também não. É preciso que esse caso seja punido”, comentou.

Ainda de acordo com o morador, a população deve se reunir em protesto ainda nesta quinta-feira, às 18h no prédio da Câmara Municipal, no mesmo horário que está marcada uma sessão.

A reportagem do Jornal da Paraíba tentou contato, nesta quinta-feira, com o município, mas nenhuma das chamadas foram atendidas.









Fonte EPITÁCIO GERMANO – JORNAL DA PARAÍBA



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