quarta-feira, 31 de outubro de 2018

Saiba qual é a cidades mais 'bolsonarista' do país

Em Nova Pádua, na serra gaúcha, Jair Bolsonaro recebeu 92,96% dos votos. Chamado de 'pequeno paraíso italiano', economia do município é baseada na agricultura.

Com população estimada pelo IBGE de 2.548 habitantes, Nova Pádua, na Serra do Rio Grande do Sul, foi a cidade do país em que Jair Bolsonaro (PSL) teve a maior votação no 2° turno das eleições – 92,96%, o que representa 1.770 votos. O município tem 2.308 eleitores.

O candidato do PT, Fernando Haddad, recebeu 134 votos (7,04%). A baixa do Partido dos Trabalhadores no município não é novidade. Em 2014, no 2° turno, Nova Pádua deu a maior vitória a Aécio Neves (PSDB) com 88,14% dos votos válidos.

Chamada de "pequeno paraíso italiano", a cidade foi emancipada há 26 anos, deixando de fazer parte do município de Flores da Cunha. "A maior parte da economia, o PIB principal do município, 90% é agricultura", afirma o prefeito Ronaldo Boniatti (PSDB).

A população vê no presidente eleito a chance de conquistar avanços para os agricultores, conforme o vereador Danrlei Pilatti (PP). "A maioria da população trabalha com agricultura, enfrenta as mesmas dificuldades de excessos de impostos em insumos, burocracias ambientais desnecessárias, e não confunda burocracia 'se pagar pode' com fiscalização. Hoje, existem muitas questões ambientais que só servem para gerar custos aos agricultores, e na realidade são os próprios agricultores os que mais querem preservar seu solo e sua propriedade para continuar produzindo bem", diz Danrlei, que cumpre seu primeiro mandato, aos 21 anos.

Segundo ele, Bolsonaro "apresentou clareza nas ideias de reformulação de governo". "O povo conversa muito entre si, vai trocando informações sobre as eleições e acaba que ocorre um grande alinhamento de ideias", completa o vereador.

"A população acredita, confia em novas alternativas", explica Danrlei.

Para Danrlei, não há paralelos possíveis entre a votação expressiva de Bolsonaro com o número de votos a Aécio Neves, nas eleições passadas. "Hoje se ele [Aécio] fosse candidato a qualquer cargo, não faria mais de 10 votos. Quem votou nele, se informou e viu o que ele é", resume o vereador.


Armamento

Na opinião do empresário e morador de Nova Pádua Guilherme Stangherlin Menegat, as pessoas confiaram "no candidato, nas ideias dele". Como, por exemplo, as propostas de mudanças na legislação que regulam a posse e o porte de armas no país.

"Esse foi um dos principais fatores que levou ele à boca do povo. A legalização do porte te dá o direito de se autodefender. Acho que ajuda muito, principamente o produtor rural que não consegue policiamento mais ostensivo porque está distante do grande centro", relata Menegat.

A professora Lenita Sonda vê paralelos entre as características dos cidadãos paduenses e Jair Bolsonaro. "A nossa educação sempre foi pautada na disciplina, na responsabilidade e principalmente no trabalho", cita ela, que trabalha na rede pública da cidade.

A rejeição ao PT também é explicada pela professora. "Entendo que o candidato do PT representava um sistema de governo que já está a uma década e no entanto não resolveu problemas que são cruciais como: educação, segurança e saúde. Vivemos uma crise sem precedentes. Sem contar com todos os escândalos de corrupção protagonizados pelo PT e partidos aliados", opina Lenita.

Rejeição ao assistencialismo

O prefeito ressalta que a população vê com "certo negativismo o assistencialismo", o que seria mais um motivo para rejeitar o PT e acolher Bolsonaro. Segundo Boniatti, apenas 13 pessoas têm o Bolsa Família no município. "O PT foi muito assistencialista nos seus governos", declara.

Agora, devido aos resultados obtidos por Bolsonaro na cidade, o prefeito garante que quer trazer o presidente eleito ao evento tradicional de Nova Pádua, a Festa de Produtos Coloniais, que em 2019 acontece de 15 a 24 de fevereiro. "A gente vai tentar fazer esse convite pessoalmente. Vou ter que ir a Brasília, e aproveitar para já convidá-lo pessoalmente. Seria um grande ganho para o nosso município se ele estiver presente no evento", declara.

Crença na luta contra a corrupção

Os eleitores de Bolsonaro em Nova Pádua também apostam no futuro presidente como a pessoa que irá lutar contra a corrupção no Brasil. "Acredito que [os moradores] estão saturados da questão da corrupção. Também por ser uma população conservadora, acostumada a ver os recursos serem empregados, de forma eficiente, dentro do próprio município", enaltece o prefeito, cuja própria votação na eleição municipal de 2016 (70%) foi superada pelo candidato do PSL.

A professora Vivian Copelli concorda. "A maioria dos eleitores daqui votou em Bolsonaro em virtude de querer uma mudança política, cansados de corrupção e mentiras", opina.

Já Guilherme Menegat nota que a campanha de Bolsonaro mudou inclusive a atitude das pessoas nas ruas. "Ele fez as pessoas colarem o adesivo [do candidato] no carro. Coisa que tu não via antes, em outras eleições. Vamos vendo muita corrupção, que afasta as pessoas da política. Ele é um candidato que trouxe o pessoal de volta", observa o empresário.

Nem os posicionamentos e frases ditas por Bolsonaro em relação à mulheres, gays, índios e negros, alvos de fortes críticas por diversos setores da sociedade, desencorajam o voto do paduense, conforme Guilherme.

"Não vejo que ele vá mudar a visão, a forma de agir das pessoas. Se tu é uma pessoa preceituosa, não vai deixar de ser. A mídia influencia muito mais a pessoa do que um presidente", acredita o morador.

Outros dados de Nova Pádua

Dados do IBGE mostram que a cidade tem mais moradores na faixa de 45 a 49 anos. Depois, vem o grupo das pessoas de 50 a 54. A maioria da população se diz católica. Conforme dados do censo de 2010, eram 2.392 mil moradores com essa religião. Evangélicos eram 56 e espíritas, 19.

Sobre a renda dos moradores, o IBGE mostra que, em 2016, o salário médio mensal era de 2,7 salários mínimos.

A taxa de escolarização de 6 a 14 anos foi de 100% em 2010, também conforme o IBGE. Com isso, Nova Pádua apareceu em 1º lugar não somente entre as 497 cidades gaúchas, como também entre os 5.570 municípios do Brasil.

O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) de Nova Pádua é 0.761, ficando em 63º lugar no estado, junto com Panambi e Vila Maria. Porto Alegre é o primeiro lugar, com 0,805.

Nova Pádua apresenta 77.7% de domicílios com esgotamento sanitário adequado, segundo o IBGE.



Fonte Por Carolina Cattaneo e Janaína Lopes, G1 RS




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