terça-feira, 19 de março de 2019

Ex-Secretária Livânia recebe 2ª voz de prisão em 48h e tem visitas restringidas

Nova prisão preventiva foi decretada pelo desembargador Ricardo Vital, também solicitada pelo Ministério Público estadual referente a Operação Calvário I

O juiz Adilson Fabrício manteve, nessa segunda-feira (18), durante audiência de custódia, a ex-secretária estadual de Administração, Livânia Farias, presa. A ex-auxiliar do Governo do Estado também recebeu voz de prisão referente a um processo que, segundo o advogado Solon Benevides, corria em segredo de justiça referente a uma caixa que teria sido entregue a ela com dinheiro de suposto esquema de propina da Cruz Vermelha.

A nova prisão preventiva foi decretada pelo desembargador Ricardo Vital, também solicitada pelo Ministério Público estadual referente a Operação Calvário I, que investiga o recebimento de propina pela Cruz Vermelha, responsável pela gestão do hospital de Emergência e Trauma de João Pessoa.

“O fundamento da prisão cautelar na garantia da ordem pública tem por objetivo, outrossim, e no caso, impedir que a denunciada continue delinquindo e, consequentemente, trazer proteção à própria comunidade, coletivamente valorada”, destacou o desembargador Ricardo Vital em sua decisão.

Livânia Farias vai permanecer recolhida na 6ª Companhia da Polícia Militar, em Cabedelo. Também ficou determinada a proibição de visitas de qualquer pessoa que não sejam parentes de primeiro e segundo graus e dos advogados. Nenhuma autoridade política poderá visitar a ex-gestora, que terá escolta feita apenas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).

O advogado de Livânia Farias, destacou que a defesa está tranquila e provará inocência da ex-secretária. “Tomamos conhecimento agora (da segunda voz de prisão). Vamos estudar o processo e vê as medidas judiciais cabíveis em favor da nossa cliente. Vamos conseguir restabelecer a verdade dos fatos porque nada do que foi dito pelo Ministério Público tem procedência”, afirmou Solon Benevides.

Livânia Farias foi presa na tarde do último sábado, no aeroporto Castro Pinto, na Grande João Pessoa, quando chegava de Belo Horizonte (MG), onde estava em viagem com a família. A ex-secretária é suspeita de corrupção por envolvimento no que o Ministério Público classifica como organização criminosa, envolvendo a Cruz Vermelha filial do Rio Grande do Sul, Organização Social que gerencia hospitais no Estado.

Após a prisão, a Justiça decretou o bloqueio de bens da ex-secretária, por meio de decisão que veio em conjunto com o mandado de prisão. Entre os bens bloqueados estão uma casa comprada no município de Sousa no valor de R$ 400 mil e um carro de luxo, uma BMW. Além disso, foi determinado o sequestro de todos os veículos que estiverem no nome da ex-gestora.

Após a prisão da ex-auxiliar, o Estado divulgou uma nota afirmando que a detenção “causou estranheza”. No mesmo texto, foi incluída uma carta assinada por Livânia, na qual ela pedia exoneração do cargo e afirmando ter sido “supreendida” com a decisão judicial.

Operação Calvário
As investigações da Operação Calvário são conduzidas pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) e pela Comissão de Combate aos Crimes de Responsabilidade e Improbidade Administrativa (CCRIMP), do Ministério Público da Paraíba (MPPB).

A Operação Calvário apura a atuação de uma organização criminosa responsável por desviar R$ 1,1 bilhão a partir de fraudes em contratos firmados junto à unidades de saúde. Corrupção, lavagem de dinheiro e peculato estão entre os crimes praticados pela quadrilha.

Espaço aberto
Com a vaga aberta depois do pedido de exoneração de Livânia Farias, abre-se a possibilidade para uma convocação de um deputado estadual ou até mesmo o convite para um ex-deputado assumir a pasta, a exemplo de Lindolfo Pires (Podemos). O governador João Azevêdo (PSB) deve tratar esse assunto ainda esta semana. Nessa segunda-feira (18), o socialista reuniu a base governista da Assembleia Legislativa na Granja Santana. O objetivo seria tratar estratégias de defesa do governo diante da Operação Calvário.





Fonte Por André Gomes


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